20% das mulheres brasileiras não tem mais útero
Nos Estados Unidos, estima-se que cerca de 30% das mulheres entre 50 e 60 anos não tenham mais útero. No Brasil, o problema aflige aproximadamente 20% das mulheres na mesma idade.
A histerectomia (retirada do útero) é a segunda cirurgia mais realizada nos Estados Unidos. Aproximadamente 650 mil mulheres são submetidas anualmente a esse tipo de cirurgia. No Brasil o número pode chegar a 200 mil (não existe uma estatística exata no Ministério da Saúde). A maioria das histerectomias, em média 75%, são realizadas por via abdominal (através de incisão na barriga), o restante 25% são por via vaginal (através de incisões dentro da vagina).
Existem situações em que a indicação de histerectomia é incontestável como nos casos de câncer de útero e câncer de ovários. Porém, em todas as outras indicações, principalmente nas lesões iniciais, existe a possibilidade de utilização de outras cirurgias menos invasivas com preservação do útero.Estima-se que aproximadamente 16% das histerectomias são consideradas desnecessárias.
Há alguns anos, novas técnicas cirúrgicas vêm sendo aprimoradas, mas principalmente a partir de 1998, houve um grande desenvolvimento dessas técnicas cirúrgicas para tratamento das alterações mais freqüentes do útero, como: miomas (nódulos que crescem nas paredes do útero), sangramento excessivo do útero, pólipos uterinos (projeções de tecido que ocorrem na cavidade do útero), hiperplasia endometrial (condição que causa espessamento no interior do útero que resulta em sangramento anormal) e endometriose (condição que pode causar hemorragia e cólicas).
Muitas mulheres com miomas podem ser beneficiadas pelas novas técnicas de videohisteroscopia e videolaparoscopia para a realização da miomectomia (retirada cirúrgica do mioma). Existem outras técnicas de tratamento que não retiram o útero, como: miólise e embolização, que trabalham na tentativa de regressão dos miomas. Os pólipos endometriais podem ser completamente removidos pela videohisteroscopia. O uso de medicações específicas é a primeira escolha para o tratamento do sangramento excessivo do útero. Quando as medicações não melhoram o sangramento anormal, a cirurgia esta indicada. As novas técnicas de videohisteroscopia podem ser usadas, o que levaria a uma redução significativa do número de histerectomias.
A implantação desses novos procedimentos que evitam a histerectomia de maneira mais abrangente poderá trazer benefícios para todas as mulheres com problemas no útero, além de reduzir os custos hospitalares. Para se ter uma idéia dos benefícios dessas novas técnicas, mulheres que sofreram histerectomia abdominal ficaram em média de três a quatro dias internadas e necessitaram de oito semanas para recuperação. Com a técnica de videohisteroscopia para ablação endometrial, polipectomia e miomectomia, a internação não ultrapassa 24 horas e a recuperação é inferior a duas semanas.
A substituição da histerectomia abdominal para procedimentos alternativos potencialmente poderia reduzir de quatro a seis semanas o tempo de recuperação e de dois a quatro dias o período de internação por cada paciente. A tendência atual da medicina é a de mínima intervenção ao paciente, menor gasto (a prevenção é mais barata que o tratamento das doenças) e quando for necessário o tratamento cirúrgico, realizar procedimentos menos invasivos. Para que isto possa ocorrer de maneira mais ampla, é de grande importância a mulher estar mais informada sobre essa nova tecnologia médica que evita grandes incisões, reduz o tempo de internação e de recuperação, possibilitando retorno mais rápido as funções normais.
Dr. José Alexandre Portinho
www.mulhersaude.com.br
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