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2 de novembro de 2009

Brasil tem mais de meio milhão de adolescentes grávidas


Esse número se eleva entre 15 e 19 anos, principalmente nas regiões Nordeste e Sudeste.
Todo ser humano, no decorrer da vida, passa por transformações, mas existem certas épocas nas quais as modificações acontecem muito rapidamente e são bastante significativas. Nesta etapa da vida, uma é de grande importância. A gravidez na adolescência.

De acordo com o último levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um em cada cinco partos no Brasil é de mão adolescente. Só em 2006, nasceram 22.161 bebês, filhos de mães com menos de 15 anos. Na faixa dos 15 aos 19 anos chega a 551.093.
O percentual de nascimentos de filhos de adolescentes já alcançou 20,5% do total no País, mas este quantitativo difere entre as regiões brasileiras. No Nordeste e Sudeste, foi registrado, em 2006 (pelo último levantamento do IBGE), respectivamente185.874 e 190.600 casos, enquanto no Centro-Oeste foram 43.828.

Para o ginecologista José Alexandre Portinho, Doutorado e Mestrado em Ginecologia pela UFRJ, a gravidez precoce está diretamente relacionada ás condições econômicas dessas adolescentes. Segundo ele, isso acontece devido à pouca assistência do poser público em algumas regiões brasileiras, ou nas periferias  das grandes cidades. “Falha na distribuição gratuita de contraceptivos e a falta de um programa permanente que trate do assunto na mídia e nas escolas”, destaca o médico.

Hoje, os meninos e meninas entram na adolescência cada vez mais cedo. O início da ejaculação e da menstruação indica que eles estão começando a sua vida fértil e logo vão descobrir que também são capazes de procriarem.

Para Portinho, esse é o momento exato de levar a adolescente para a sua primeira consulta ginecológica. “A menina que está vendo e sentindo as mudanças no corpo, sente também necessidade de saber mais sobre suas transformações e sobre o sexo”, orienta o ginecologista e continua – a menina deve ser orientada pelo responsável que é na primeira consulta ginecológica ela poderá tirar todas as suas dúvidas em relação ao sexo, ao corpo em transformação, e as várias maneiras de como não engravidar, inclusive deve ser orientada de como se deve usar uma camisinha masculina e feminina. “Na realidade, a mãe não gosta nem de pensar na possibilidade de que a filha possa engravidar tão cedo e erradamente acha que ainda não é a hora de falar sobre o assunto”, observa o especialista.

- É bom que a adolescente escreva num papel todas as suas dúvidas na hora da primeira consulta, assim o médico poderá dar maior orientação indo direto ao ponto. Muitas dúvidas são ontológicas e passam de geração a geração, como por exemplo: - posso engravidar na minha primeira relação sexual? Ou, sexo anal engravida? Ou ainda, ele gozou, mas eu lavei logo, mesmo assim posso ficar grávida? São perguntas que muitas vezes a menina não tem coragem de perguntar a mãe e conseqüentemente a mãe não tem coragem de responder.
O que muda? – Quando a adolescente é muito nova (menos de 15), as mudanças não serão apenas no corpo ainda em formação, a gravidez pode vir a interromper o processo de desenvolvimento próprio da idade, fazendo-a assumir responsabilidades e papéis de adulta antes da hora, porque a sua personalidade ainda está em formação. “Muitas vezes, a dificuldade de contar o fato para a família ou até mesmo constatar a gravidez faz com que a adolescente inicie tardiamente o pré-natal, o que possibilita uma gravidez de risco para a gestante e também para o bebe”, esclarece o Portinho.

1- A adolescente pode engravidar na primeira relação sexual.
2- A menina pode engravidar ainda virgem se o rapaz ejacular muito perto da vagina e a moça estiver em período fértil.
3- O melhor método para evitar a gravidez na adolescência deve ser analisado junto com um profissional que deve esclarecer sobre os métodos existentes, já que quase todos podem ser utilizados pela adolescente depois que ela começa a menstruar.
4- Se houver esquecimento de tomar a pílula por mais de 1 dias, o ideal é parar, fazer um intervalo de 7 dias (que pode ou não aparecer a menstruação), e recomeçar a tomar outra cartela. Se houver relação nesse intervalo, o ideal é usar a camisinha, pois existe grande chance de engravidar nesse meio tempo.
5- A tabelinha só deve ser usada se a adolescente souber muito bem sobre seu ciclo menstrual, identificar seu período fértil e não manter relações nesse período.

Dr. José Alexandre Portinho, ginecologista

Diretor da Clínica de Medicina Endoscópica – CME
Diretor do site www.mulhersaude.com.br
Doutor e Mestre em Ginecologia pela UFRJ
Presidente da Sociedade de Endoscopia Feminina do Rio de Janeiro (SEFERJ)
Membro da AAGL American Association of Gynecology Laparoscopy
Membro da North American Menopause Society
Membro da International Menopause Society
Membro da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro
Membro da Febrasgo

Fonte: Mulher Saúde

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