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2 de novembro de 2009

A cirurgia do século XXI


Nos últimos anos o avanço da medicina tem proporcionado melhoria constante da qualidade de vida das pessoas. Vários métodos de investigação de doenças foram descobertos possibilitando o diagnóstico de lesões iniciais que quando tratadas imediatamente impedem a progressão e oferecem cura completa.

Os métodos cirúrgicos da mesma maneira evoluíram para se tornarem o menos invasivo possível, ou seja, menos agressivo e com menores incisões. Com isso a recuperação das pacientes é mais rápida possibilitando uma permanência menor nos hospitais. Apesar da tecnologia médica para os procedimentos cirúrgicos estar evoluindo, existe uma tendência de redução dos custos com as internações.

A Videohisteroscopia é um método avançado e bastante aprimorado que serve para investigação e tratamento de lesões do útero. Quando utilizado para investigação de lesões uterinas é chamado de videohisteroscopia diagnóstica. Para a realização desse procedimento é necessário uso de ótica com iluminação acoplada a microcâmera, além de instrumental específico para detectar as alterações da cavidade do útero. Portanto, através desse exame que é realizado por via vaginal, visualizamos toda a cavidade uterina a procura de lesões nas fases iniciais, cujo tratamento aumenta a possibilidade de cura.

A cavidade uterina é revestida por tecido chamado endométrio. Todos os meses, nas mulheres no período reprodutivo, esse tecido desenvolve, cresce e depois descama parcialmente formando a menstruação. É justamente no endométrio onde ocorre a grande maioria das lesões do útero. Por isso, a videohisteroscopia tem grande importância não só pela oportunidade de investigação do endométrio como também pela possibilidade de retirada das lesões que poderiam crescer e deformar o útero, além da possibilidade de malignização. Portanto, os serviços de saúde que implantaram a videohisteroscopia como método diagnóstico e cirúrgico tiveram uma redução acentuada das cirurgias para retirada do útero (histerectomia). A visualização direta da cavidade uterina possibilita a realização de biópsias de éreas anormais para a diferenciação entre lesões benignas e malignas.

Várias são as indicações para a videohisteroscopia diagnóstica. Dentre as principais destacamos os casos de sangramento uterino anormal, particularmente em mulheres na menopausa, suspeita de mioma, pólipo, câncer e outras anormalidades uterinas. A videohisteroscopia é de grande valor na exploração do canal do colo uterino em mulheres com história de abortos repetidos que pode revelar a causa do problema. Algumas lesões que causam infertilidade podem ser descobertas como a presença de septos uterinos, aderências, inflamações, etc. Esse exame pode ser realizado em consultório ou ambulatório.

Quando o método é utilizado para retirada de lesões como pólipos e miomas é chamado de videohisteroscopia cirúrgica. Esse procedimento é realizado no centro cirúrgico com a paciente sob anestesia. Da mesma maneira que o procedimento diagnóstico, é utilizado aparelhagem de vídeo e microcâmeras.

As lesões são retiradas da cavidade uterina através de instrumental específico que utiliza ondas eletromagnéticas que ao mesmo tempo corta e cauteriza os tecidos. Com isso não existe necessidade de dar pontos. Todos esses procedimentos são realizados por via vaginal sem a necessidade de fazer incisões na barriga. Atualmente com a videohisteroscopia conseguimos retirar lesões do útero com mais eficácia deixando para traz métodos menos precisos como a curetagem uterina.

Uma das cirurgias que podem ser realizadas por videohisteroscopia é a miomectomia, ou seja, a retirada de miomas. Muitas mulheres com mioma apresentam sangramento uterino anormal e podem ser beneficiadas por esse tipo de cirurgia que preserva o útero.

Existem mulheres que referem sangramento uterino anormal, mas não apresentam lesão uterina como mioma ou pólipo. Na ausência de alterações no útero, o sangramento irregular usualmente é devido a desequilíbrio hormonal ou fatores locais interferindo na coagulação do sangue no útero.

Muitas pacientes com esse tipo de problema podem ser tratadas com remédios hormonais, antiinflamatórios e outras medicações. No passado quando essas medicações não melhoravam o sangramento, as mulheres eram submetidas à cirurgia de histerectomia. Hoje, existe uma cirurgia que preserva o útero chamada ablação do endométrio, que é realizada também por videohisteroscopia, com melhora acentuada do sangramento irregular.

Dr. José Alexandre Portinho
Fonte: Mulher Saúde

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