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2 de novembro de 2009

A incontinência urinária é um tabu?


- Você tem perda de urina quando faz esforço?

- Tem vergonha de falar sobre perda de urina?

- Acha que perde urina devido a velhice?

- A perda de urina modificou sua atividade e sensualidade?

- Tem dúvida sobre o tratamento?

- Não sabe com quem falar sobre a perda de urina?

As respostas você vai encontrar lendo o texto da Dra. Paula Portella

A incontinência urinária é definida como qualquer perda involuntária de urina, que pode ocorrer em várias situações como, por exemplo, durante o esforço físico (tossir, rir, dançar, etc.), durante a relação sexual, ou acompanhada por um desejo súbito e incontrolável de urinar. Muitas mulheres também apresentam dificuldade de dormir porque são interrompidas durante o sono com o desejo de urinar. Quando a quantidade e a freqüência dessas perdas de urina aumentam, a mulher tenta evitar constrangimentos. Com isso, passa a utilizar absorventes e controlar a quantidade de liquido que bebe. Além disso, vai ao banheiro com mais freqüência para evitar a perda involuntária de urina. Conseqüentemente, cria a expectativa de ser um problema passageiro. Com o agravamento dos sintomas ocorre uma diminuição significativa da qualidade de vida, do convívio social e muitas vezes provoca o isolamento e depressão.

A incontinência urinária atinge principalmente as mulheres, na proporção de dois para um, em relação aos homens. Fatores como a gravidez, parto, menopausa e a própria anatomia feminina favorecem essa diferença.

No Brasil, estima-se que aproximadamente seis milhões de mulheres sofram desse problema.

Nos dias atuais, vemos que a mulher tem uma participação crescente no mercado de trabalho. Apesar da modernidade dos novos tempos, os problemas urinários da mulher, ainda são encarados erradamente pela sociedade, como sendo parte de um processo natural de envelhecimento. Esse fato, muitas vezes inibe a mulher de falar que esta tendo perda de urina, por isso, não procura o atendimento médico. Entretanto, a incontinência urinária é muito freqüente. Para se ter uma idéia, a incidência é de 15% em qualquer idade e vai aumentando progressivamente até atingir de 30 a 60% no período da menopausa. As causas podem variar de acordo com a idade desde alterações neurológicas e diabetes, até o uso de alguns medicamentos que provocam o descontrole do sistema urinário.

Para o adequado funcionamento do trato urinário inferior da mulher, a uretra e a bexiga devem atuar de forma coordenada. Assim, na fase de enchimento a bexiga permanece relaxada e a musculatura uretral contraída, sendo o inverso na micção. Quando esse mecanismo se altera ocorre o descontrole do sistema urinário.

Existem várias formas de incontinência urinária:

1. Incontinência Urinária de Esforço: quando a perda involuntária de urina acontece durante o esforço físico. É o tipo de incontinência mais freqüente na população em geral.

2. Incontinência Urinária por Urgência (urge-incontinência): É conseqüência de uma contração involuntária e incontrolável da bexiga. Normalmente a bexiga se mantém relaxada durante a fase de enchimento e quando está cheia a mulher sente o desejo normal de urinar. Nesse tipo de incontinência a perda de urina ocorre acompanhada ou imediatamente precedida por um desejo incontrolável de urinar que não permite aguardar o momento adequado para urinar. É mais freqüente na pós-menopausa.

3. Incontinência Mista: é quando a mulher apresenta perda ao esforço e perda por urgência.

4. Incontinência por transbordamento: Nesse caso a bexiga apresenta uma capacidade muito grande (anormal) de reter a urina, até o momento em que a perda acontece por transbordamento do excesso de urina dentro da bexiga. Nessa situação como a bexiga está extremamente cheia a perda também pode ocorrer durante o esforço físico, confundindo com os sintomas da incontinência urinária de esforço acima descrita. As causas mais comuns são as lesões neurológicas e diabetes.

5. Outros tipos de Incontinência são caracterizados de acordo com a situação que ocorre a perda.

6. Alguns distúrbios podem aparecer devido a um descontrole do sistema urinário e que também devem ser investigados como:

► Perda de urina na cama, durante o sono.

► Necessidade de acordar durante a madrugada para urinar.

► Perda de urina sem perceber.

► Micções muito freqüentes durante o dia

► Perda contínua de urina.

Durante a gravidez e no trabalho de parto, podem surgir sintomas urinários que normalmente desaparecem nos primeiros seis meses após o parto. Esses problemas ocorrem devido a vários fatores, entre eles o aumento de peso, a mudança na posição da uretra e da bexiga e quando o trabalho de parto é prolongado e difícil. Caso os sintomas persistam após os seis meses após o parto é recomendável procurar assistência médica especializada.

Na menopausa, as alterações hormonais, a diminuição do colágeno e o enfraquecimento da musculatura pélvica, favorecem o aparecimento da incontinência urinária. No entanto, ela não deve ser aceita como um processo natural, porque na maioria dos casos é possível o tratamento adequado. Além disso, nessa fase a mulher merece atenção especial porque outros problemas podem estar associados. Por exemplo, doenças crônicas, uso mais freqüentes de medicações e maior freqüência de infecções urinárias. Todos esses problemas também podem interferir no bom funcionamento do sistema urinário.

O avanço da medicina continua e novos métodos diagnóstico, terapêuticos e preventivos, proporcionam melhora na qualidade de vida das mulheres com alterações urinárias.

A primeira etapa é uma avaliação médica criteriosa é feita através do ginecologista ou do urologista com a solicitação do exame de urina (EAS e Urinocultura). Nesse momento, o especialista também poderá avaliar alterações concomitantes, como por exemplo, a queda da bexiga, do útero, do reto e também a perda involuntária de fezes ou gases.

O exame urodinâmico é um exame complementar de fundamental importância que tem como objetivo reproduzir as queixas urinárias e analisar o tipo de incontinência urinária de cada paciente. Este exame é realizado através de um equipamento computadorizado que proporciona maior conforto e precisão diagnóstica. Ele avalia o enchimento e esvaziamento da bexiga, além da sensibilidade, capacidade máxima da bexiga e permite documentar a perda de urina e outros dados. É um exame indolor e bem tolerado pela paciente.

Com a confirmação diagnóstica através da urodinâmica associada à história clínica da paciente e com o exame físico, o médico poderá direcionar o tratamento de cada paciente. Na atualidade, grande parte das incontinências urinárias por esforço pode ser tratada com cirurgia. As novas técnicas minimamente invasivas, através de faixas sintéticas que se colocam abaixo da uretra por via vaginal, permitem melhor recuperação no pós-operatório. Entretanto, nem todos os tipos de incontinência podem ser tratados através de cirurgias. Existem outros tratamentos como a fisioterapia especializada e medicamentos específicos, que também apresentam bons resultados de cura.

Alguns hábitos podem ajudar na prevenção da incontinência urinária como:
► Evitar longos períodos sem urinar.

► Exercícios para fortalecer a musculatura pélvica que sustenta a bexiga e a uretra, especialmente na fase da gestação e após o parto (com prescrição e orientação médica).

► Procurar acompanhamento médico durante a gravidez e seguir as orientações médicas durante o trabalho de parto.

► Procurar assistência médica durante o período do climatério (fase em que ocorre diminuição dos hormônios femininos).

“A incontinência urinária deve ser bem investigada e tratada adequadamente permitindo que a mulher mantenha sua qualidade de vida em qualquer idade".

Dra. Paula Portella
Fonte: Mulher Saúde

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